Entrevista com o CEO do Grupo Humanitar

1 – Como é a atuação do Grupo Humanitar?

Com mais de uma década de história, o Grupo Humanitar foi criado por três amigos médicos em 2008. Colegas na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que enxergaram na profissionalização da terceirização do corpo clínico uma oportunidade de mercado alinhada ao ideal que compartilhavam: garantir o acesso à saúde e o bem-estar da população brasileira.

Focados em qualificação médica, adoção de protocolos efetivos e atualizados bem como gestão de recursos técnicos visando à otimização dos custos, além de equipes médicas, oferecemos para hospitais, clínicas e consultórios de todo o Brasil serviços de consultoria jurídica e regulatória, treinamentos, ferramentas de tecnologia e assessoria administrativa.

Em consonância ao nosso princípio de humanização no atendimento médico, organizamos uma governança corporativa baseada nas melhores práticas de compliance e transparência, priorizando os direitos humanos, a ética e as práticas anticorrupção.

Nossa empresa foi criada justamente para oferecer a terceirização de serviços médicos de maneira profissionalizada, totalmente adequada às legislações vigentes – Lei dos Planos de Saúde (n° 9.658/98); Lei da Terceirização (n°13.429/2017); e regulações variadas publicadas ordinariamente pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

2 – O grupo é focado na terceirização do trabalho clínico priorizando a gestão de custos. Como é feita a análise de gastos?

O controle de custos é prioridade na nossa gestão: fazemos análise de qualidade de gastos diária e relatórios mensais com todos os indicadores de internação e exames de alto custo.

3 – De que maneira os indicadores de internação e exames de alto custo podem ajudar a reduzir o desperdício?

É fundamental que os processos administrativos de uma instituição de saúde estejam sempre sob controle. A complexidade da administração desse tipo de estabelecimento é marcada pelo envolvimento de inúmeros fatores. E é a boa gestão que determinará a performance da instituição, que, por sua vez, passa a ter mais credibilidade perante seus pacientes.

Para isso, é necessário garantir que os recursos financeiros sejam corretamente empregados, revendo e reajustando processos em busca de caminhos que tragam bons resultados, não prejudiquem a eficiência já conquistada e sejam alternativa para reduzir os custos hospitalares.

Somos reconhecidos por resultados de excelência comprovados pela melhoria significativa em indicadores – entre eles o Net Promoter Score (NPS), que mede a satisfação do paciente por meio da metodologia desenvolvida na Universidade de Harvard. Com o monitoramento e avaliação desses indicadores é possível subsidiar a formulação e o alcance de metas, a identificação da necessidade de mudanças, a redução de custos e as avaliações de desempenho, instrumentos fundamentais de gestão para as organizações.

4 – O controle de custos melhora de que maneira os desfechos clínicos e a performance da equipe médica?

Promovemos a redução de despesas desnecessárias por meio da qualificação médica, pois acreditamos que a sustentabilidade financeira da saúde suplementar está diretamente relacionada à qualidade do diagnóstico clínico.

5 – Como a educação continuada e a qualificação médica podem auxiliar na redução de despesas desnecessárias?

Preconizamos a educação continuada em todo o nosso corpo clínico, pois acreditamos para que os profissionais possam estar aptos a executar as suas funções com qualidade, devem estar atentos a todas as mudanças e atualizações disponíveis em suas áreas.

Praticamos a redução de despesas desnecessárias por meio de qualificação médica, pois acreditamos que a sustentabilidade financeira da saúde suplementar está diretamente relacionada à qualidade do diagnóstico clínico.

6 – Qual a importância das equipes médicas para ambulatórios (principalmente das equipes cirúrgicas) no que se refere ao cumprimento da Lei dos Planos de Saúde (nº 9.658/1998) e na otimização de recursos com previsão de custo mensal para cada especialidade?

Com 80 colaboradores administrativos, nossa equipe multidisciplinar atua na nossa sede em São Paulo e alocada nos clientes, o que endossa o acompanhamento ininterrupto de indicadores de performance elaborados de acordo com o perfil de cada instituição de saúde.

Estamos preparados para atendimento 24 horas, todos os dias da semana e para garantir a cobertura de qualquer serviço médico com situação emergencial em até 48 horas após a solicitação dos novos clientes, de Norte a Sul do Brasil. Para isso, mantemos um banco profissional com mais de 4 mil médicos parceiros cadastrados.

Os projetos podem ser divididos em módulos ou mutirões, e os contratos de terceirização garantem segurança jurídica e trabalhista às organizações, assegurando a cobertura e a reposição imediata da escala médica em atenção básica e em todas especialidades.

7 – Como a plataforma Humanitar apoia a gestão de plantão médico? Quais são os ganhos e vantagens do uso dessa plataforma?

8 – De que forma a sustentabilidade financeira da saúde suplementar está relacionada à qualidade do diagnóstico clínico?

É um desafio para a saúde, pois os gastos são muito elevados no Brasil. O modelo assistencial hegemônico hoje estimula a produção e não o cuidado em saúde. O sistema em uso, que paga por cada procedimento – exame, medicamentos e serviço –, é criticado porque incentiva o uso desnecessário de recursos de saúde e, consequentemente, aumenta os gastos. A mudança para o modelo de remuneração por desempenho poderia combater desperdício. E a qualidade do diagnósticos, mais assertivo, auxilia na redução de gastos desnecessários, porque reduz a quantidade de solicitações e excesso de exames e procedimentos a serem refeitos.

9 – Como aplicar as melhores práticas de compliance e transparência para uma melhor governança corporativa?

As práticas de governança ajudam a empresa a comprovar o seu comprometimento com a ética. O compliance, por sua vez, é a ferramenta pela qual a instituição garante que a sua atuação está seguindo as normas do mercado.

Sem um programa de compliance, a governança corporativa corre o risco de ser falha e ineficiente. As empresas que incorporam esses conceitos são mais transparentes com os acionistas, com o mercado e com a gestão interna.

Um projeto de compliance contempla as especificidades de cada empresa, pensando no seu setor e local de atuação. Assim, garante que a instituição explore todo o seu potencial dentro do que determina a lei.

Essas diretrizes também são aplicadas às empresas de saúde, pois é para uma instituição progredir sem ter uma governança corporativa sólida e bem estruturada. É por meio dessa prática que organizações pavimentam um crescimento consistente, com redução de inadimplência, melhorias constantes nos seus produtos ou serviços e possibilidade de obtenção de outras fontes, quando necessário.

10 – O investimento em atenção básica é uma das formas de desonerar o sistema de saúde, inclusive o setor suplementar?

A saúde é um bem de relevância pública. Os sistemas públicos universais de saúde, gratuitos e de financiamento fiscal que têm a atenção primária à saúde (APS) como o coração da rede de atenção, materializam o caminho mais efetivo e eficiente para promover a equidade e garantir o direito universal à população sem deixar ninguém para trás.

A atenção primária pode ser considerada a pedra fundamental do cuidado em saúde e isso é visto em diferentes sistemas e na experiência de muitos países. Na saúde suplementar, investir em APS visa incentivar que operadoras de planos de saúde desenvolvam um cuidado cada vez mais qualificado aos seus beneficiários, por meio da implantação de redes de atenção ou linhas de cuidado em atenção primária certificadas por entidades acreditadoras reconhecidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar.

A disponibilidade de serviços de cuidados primários na saúde suplementar no Brasil, embora apresente desafios, oferece a oportunidade ímpar de melhoria da qualidade e redesenho do arranjo assistencial que hoje é caracterizado pela fragmentação e descontinuidade do cuidado existentes no setor.

Clovis Otavio – CEO do Grupo Humanitar

clovis.otavio@humanitar.com.br